sábado, 15 de agosto de 2009

Fragmentos de 2004

"Agora me pego em uma gigantesca contradição, como eu que nunca gostei das coisas mais ou menos, água rasa, coisas sem sentido, meias palavras, desejo tão ardentemente o incerto, a dúvida, o talvez?

Será por eu nunca vou merecer o sim, e não vou ter coragem de aceitar e me conformar com o não, que será constante nessa minha vida. Em que eu tenho medo e sei que ela sempre será, uma vidinha mais ou menos.

Justo o mais ou menos que eu tanto desprezo, serei um dia uma profissional mais ou menos, num trabalho mais ou menos, morando em uma quitinete mais ou menos e mais ou menos histérica."

(...)



"Detesto quando as pessoas subestimam a minha inteligência, e me trata como idiota, como e ele fosse o senhor (a) da razão e talvez nem saiba onde fica a cidade de Governador Dix-Sept Rosado e daí se pega sem ter todas as respostas..."

"Detesto a superficialidade, pessoas que não consegue enxergar mais que uma casca.

Detesto pessoas que não gosta de demonstrações de afeto públicas, por que quem não gosta de afeto não é um ser humano é em ser objeto, um ser poste é um ser qualquer coisa..."

(...)

"Muitas são as ocasiões em que acredito ser formada de vários eu e que se divergem, só para nunca crer que serei uma comunhão entre meu corpo e meus sentimentos."


"Amo o que nem sei explicar o que é, e isso me deixa cada vez mais apaixonada, pelo mistério quem sabe, pela pessoa que não sei o que posso esperar, pela pessoa que me deixa a questionar: O porque? O que foi? O que fiz? O que aconteceu?"


"Lutarei para ser uma profissional péssima e com isso não terei emprego e nem uma quitinete para morar, e completamente histérica, ninguém poderá me classificar mais ou menos, serei o pior que conseguir e nunca carregarei esse termo de que tanto fujo e acabo entranhada entre ele: O mais ou menos."

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