"Agora me pego em uma gigantesca contradição, como eu que nunca gostei das coisas mais ou menos, água rasa, coisas sem sentido, meias palavras, desejo tão ardentemente o incerto, a dúvida, o talvez?
Será por eu nunca vou merecer o sim, e não vou ter coragem de aceitar e me conformar com o não, que será constante nessa minha vida. Em que eu tenho medo e sei que ela sempre será, uma vidinha mais ou menos.
Justo o mais ou menos que eu tanto desprezo, serei um dia uma profissional mais ou menos, num trabalho mais ou menos, morando em uma quitinete mais ou menos e mais ou menos histérica."
(...)
"Detesto quando as pessoas subestimam a minha inteligência, e me trata como idiota, como e ele fosse o senhor (a) da razão e talvez nem saiba onde fica a cidade de Governador Dix-Sept Rosado e daí se pega sem ter todas as respostas..."
"Detesto a superficialidade, pessoas que não consegue enxergar mais que uma casca.
Detesto pessoas que não gosta de demonstrações de afeto públicas, por que quem não gosta de afeto não é um ser humano é em ser objeto, um ser poste é um ser qualquer coisa..."
(...)
"Muitas são as ocasiões em que acredito ser formada de vários eu e que se divergem, só para nunca crer que serei uma comunhão entre meu corpo e meus sentimentos."
"Amo o que nem sei explicar o que é, e isso me deixa cada vez mais apaixonada, pelo mistério quem sabe, pela pessoa que não sei o que posso esperar, pela pessoa que me deixa a questionar: O porque? O que foi? O que fiz? O que aconteceu?"
"Lutarei para ser uma profissional péssima e com isso não terei emprego e nem uma quitinete para morar, e completamente histérica, ninguém poderá me classificar mais ou menos, serei o pior que conseguir e nunca carregarei esse termo de que tanto fujo e acabo entranhada entre ele: O mais ou menos."
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